1º PORTOPOESIA, Festival de Poesia de Porto Alegre, RS, Brasil,
nos dias 27/28/29/Set/2007, com pré-lançamento em 04/Set/2007.
1º PORTOPOESIA, Festival de Poesia de Porto Alegre, RS, Brasil,
nos dias 27/28/29/Set/2007, com pré-lançamento em 04/Set/2007.
POEMAR?
Isaac Starosta
Fazer poemas?
Mas pra quê se todas as coisas
estão quietas nos lugares certos
sem qualquer inquietação maior?!
Fazer poemas? Pra quê?
Se já existem tantos e os poemas
até hoje não conseguiram o milagre
de uma criança brincando
de um casal namorando ao sol
de uma bola entrando mansamente em gol!
Pra quê poemas
se esses monstros sutilíssimos jazem
empoeirados num canto da memória
sem nunca se saber quando como e para quem
um dia surgirão?!
Pra quê, se um deles agorinha por aqui passou
e eu, distraído, caneta na mão, procurando o poema,
não acertei na sua direção?!
A poesia passa depressa, não pensa
na dor da saudade que vai deixar.
A poesia é o momento que passa
e até se contenta em ser
constantemente o que não é.
MULHER EM CONSTRUÇÃO
Escandalizo.
Debando a solidão.
Agrido a alma e, por pouco,
não quebro o espelho.
Por que, por que exiges de mim
tamanha transparência, lisura?
Permite-me ser profana,
ser uma simples terrena.
Não, não exijas de mim o martírio
a beatificação - sou pequena.
Susta minha desventura -
meu falso céu.
Deixa-me tecer uma nova verdade.
Alivia minha inquietação e,
se não puderes abarcar minha
dor, vasto é o caminho: vai-te
embora, para que não me transforme
em espectro de mulher.
Quero prover o alimento do meu prazer.
Respirar aliviada.
Ser porta-estandarte
sem manto - sem véu.
Caracterizar minha passagem:
Ser mulher em construção.
2.
PortoPoesia
cais do Poema
em-barco-em-prosa
embarquemos
a sobra da Palavra
Só sobra
3.
SEMÂNTICA
Porta vem de porto (?)
Prefiro o Porto,
com seu vai-e-vem
suas entregas
seu abrigo,
à porta,
com seus ferrolhos
seus rangidos.
Oceano
Oceano sem margens à vista
onde submersas algas são ar/espaço.
Quem disse, alguma vez até aqui água
Dis.curso/lucidez ou delírio/
archote, arcanjo./Navios-ossos
os peixes lambem/dessalgam
Sepultura.
Quem disse alguma vez até aqui tudo
Sem margens o tempo: estás aqui/
Espiral
Moinho de lágrimas em pó
E punhos pautados
Segregam estupefação.
Em outro corpo complacente,
Lâminas de folhas finas e rígidas,
Desabitam ausências,
Indúcias do fogo como notação de pássaros
Em galhos aferentes.
No ritmo da espiral
Lágrimas
Punhos
Teclas Premidas
Compõem violência.
Eloísa Roveda Tschoepke (Grupo Cero)